Todo vicentino sabe que o objetivo de assistência às famílias carentes é a sua Promoção. A partir do momento quando o indivíduo ou a família passa a ser assistida por uma conferência, todos os esforços são dirigidos para este objetivo, certo? Nem sempre. Parece comum que os vicentinos apenas realizem a visita semanal (de extrema importância para o acompanhamento da situação dos assistidos), para depois relatá-las nas reuniões de conferência. A promoção é um conceito vago para a maioria de nós.Há exceções sim, porém na grande maioria dos casos, é isto o que ocorre: após período de acompanhamento – esperando-se que o próprio assistido modifique sua condição – a conferência decide por "promovê-lo". No máximo, um desligamento temporário, pois o mesmo irá procurar auxílio de outra conferência rapidamente.
A verdade é que não sabemos o que é e como atingir a tal "promoção" e agimos da forma como "aprendemos" no dia-a-dia. Afinal, como promover verdadeiramente nossos assistidos?
Na Regra da SSVP podemos encontrar diversos pontos para refletir, vejamos alguns:
• Os vicentinos ajudam os pobres a se tornarem independentes e saberem que podem mudar seu destino (Parte I, item 1.10).
• Restituir a dignidade e promover resgate da cidadania, através da justiça social (Parte III, artigo 1º e artigo 60).
Com base apenas nestes tópicos de nossa Regra, podemos deduzir que devemos fazer mais do que suprir as necessidades materiais das famílias (assistencialismo).
Com a modificação constante da sociedade, as necessidades e as dificuldades enfrentadas pelas pessoas também são diferentes da época em que a SSVP foi fundada ou mesmo de quando foi introduzida no Brasil. Assim como as formas de enfrentar e solucionar estas dificuldades também se modificaram.
Precisamos utilizar todos os recursos que nos estão disponíveis para alcançar a verdadeira promoção (= independência) dos assistidos. O assistencialismo – socorro, auxílio emergencial – deve ser a primeira etapa no processo de geração da independência.
Para isso, a Regra também nos diz o seguinte:
• A SSVP deve sempre se adaptar às mudanças dos tempos e da humanidade e às novas formas de pobreza (Parte I, item 1.6).
• Presta ajuda imediata, mas também busca soluções de médio e longo prazo. Não somente alivia a miséria, mas também busca descobrir as estruturas injustas que a causam e contribui para sua eliminação (Parte I, item 7.1).
Há ainda outros fatos que devemos levar em consideração sobre a necessidade de evoluirmos nossa forma de trabalhar: os diversos programas assistenciais do governo (federal, estadual e municipal), de outras instituições e ONGs e das empresas. Como continuar arrecadando e distribuindo alimentos e outros bens se nossos assistidos já são atendidos (e às vezes muito bem) por estes programas? Nosso trabalho está ameaçado ou será uma oportunidade para finalmente avançarmos para formas mais profundas e efetivas de promoção?
A boa notícia é que já estão em andamento, em nosso Metropolitano e em outras regiões do país, novas iniciativas neste sentido. Projetos e atividades vicentinas, em parceria com entidades públicas e privadas, que visam dar condições para que pessoas carentes possam alcançar sua independência.
As mudanças surpreendem, assustam os que vêem a antiga SSVP e não têm a Missão Vicentina em mente: a caridade promocional. E esta discussão tem que acontecer em todos os níveis da Sociedade.


Um comentário:
LSNSJC ! Concordo plenamente com o que você escreve. Estou engajado em reativar cursos, palestras e outras formas de promover todos que necessitam de nosso apoio. Fraternal abraço
marcelo@corecia.com.br
confrade da conferencia de Santa Efigênia, conselho particular de Santa Efigênia - Belo Horizonte - MG
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